Por que a implicância com o Barcelona e Messi?

                    Bem, ontem o Barcelona sofreu a sua primeira derrota nesta edição da Liga dos Campeões da Europa, e já começaram os disparates da “imprensa doméstica”, que sofre até hoje a frustração dos santistas e sua derrota espetacular no último mundial de clubes.

                    Pode até ser que o grande Barcelona fique fora das finais do certame, pois, como diria o Dadá Maravilha, “jogo é jogado, lambari é pescado”, e dentro das quatro linhas o imponderável costuma acontecer, como inclusive vimos ontem, com Messi e seus companheiros dominando completamente a partida e mesmo assim saindo derrotados por um tento a zero.

                      Mas tem nada não, independente do que resultar na próxima terça-feira na Espanha, dá para antever mais um grande espetáculo do Barcelona, maior time de  futebol da atualidade, e que é assim não por ter o maior jogador de futebol do mundo em seu elenco, mas por jogar realmente como uma equipe, com entrosamento, leveza e sem estrelismos. Ver o Barcelona em campo é simplesmente espetacular.

                      Transcrevo a seguir uma bela matéria publicada no Jornal Hoje Em Dia na coluna de Tião Martins, onde o grande cronista trata com competência do assunto, e com a devida licença, faço minhas as palavras dele:

 

Tião Martins

 

 

 

 

 

Lionel Messi Barcelona

                          Com raras e louváveis exceções, críticos de cinema, teatro, dança, artes plásticas, música e futebol gostam mais de si mesmos que do objeto de sua profissão. E tentam provar, a cada texto, que fariam melhor figura que Woody Allen, José Celso Martinez Corrêa, Deborah Colker, Adriana Varejão, Tom Jobim ou Lionel Messi.  Esses comentaristas não percebem a posição crítica em que se colocam, com a sua alma imortal vergonhosamente despida diante do respeitável público.
No caso de Lionel Messi, que deveria acrescentar Barcelona ao seu nome, o nacionalismo anacrônico dos nossos críticos de futebol chega a ser escandaloso.
Por ser ele argentino, certos profissionais do rádio e da TV devem achar que negar o talento do baixinho é ato de patriotismo. Aí, desandam a buscar defeitos em Messi e no Barcelona e apelam para a memória dos feitos de Pelé, Tostão, Garrincha e até Vavá.
O ridículo é tanto que contaminou o próprio Edson Arantes do Nascimento que, apanhado de surpresa, andou se comparando a Messi, porque lhe disseram que o craque do Barcelona teria dito que nunca o viu jogar e que o seu Rei do Futebol se chama Maradona. Parece até conversa de comadres, discutindo a graça, beleza e virgindade de suas filhas.
Um sujeito que desfruta da condição de ex-perna de pau e que hoje – somente hoje – arrisca uma crítica, o que dizer do Messi e dos seus companheiros? Por que será que tantos “especialistas” se sentem obrigados a negar qualquer valor ao Barcelona e seu estilo de jogo?
A questão não é simples, mas também não envolve um mistério insondável. E a resposta é quase banal: o Barcelona fez da nossa paixão nacional uma arte muito mais requintada e encantadora do que o sambão tradicional e ineficiente que sabemos fazer hoje. Mora aí, senhoras e senhores, o pecado mortal e imperdoável desse time impossível de conter, quando joga para vencer. Ou mesmo quando perde.
Embora apresente um futebol competitivo e até pratique empurrões e caneladas, o Barcelona jamais renuncia inteiramente ao show e à disciplina de um espetáculo de balé. Muitas vezes, a bola e o time adversário parecem ser apenas discretos coadjuvantes. E marcar o gol é parte de uma brilhante coreografia, que leva o público ao delírio no momento exato.
É cômico o esforço dos comentaristas para definir (ou descobrir) quem é o coreógrafo do Barcelona. Alguns dizem que é Pepe Guardiola, o técnico mais valorizado do mundo, neste momento. Mas há quem aposte em Xavi e quem diga que é Iniesta? Ou será Messi, o discreto e silencioso Messi, que inventa jogadas desmoralizantes e gols impossíveis?
O desprezo forçado que certos críticos dedicam a Messi e aos seus companheiros não passa de “patriotismo frustrado”. Eles sofrem ao ver que a Espanha lidera o ranking da Fifa, com o Uruguai em terceiro e o Brasil em sexto. E sabem que não temos – e nem teremos tão cedo – um grupo que sequer chegue perto da qualidade, beleza, disciplina e eficácia de que abusam os titulares do Barcelona.
Nosso futebol anda tosco, feio e improdutivo. São raros os artistas, os maestros e os coreógrafos. A genialidade, a disciplina e a autoconfiança se perderam. Não dançamos, não ousamos, não nos arriscamos. E até as vitórias, magras e tristes, falam de crise. Mas não é motivo para alguém perder a cabeça. Se não temos nada disso, o mundo também não tem. Ficou tudo igual.
Menos o Barcelona.

*** Tião Martins, para o Jornal Hoje Em Dia / Belo Horizonte

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