Adeus, gênio do riso!

Faleceu, depois de muita luta pela vida, o maior gênio da comédia e da interpretação do mundo. Quando digo do mundo, não estou sendo retórico nesta pequena homenagem que lhe presto, mas os números atingidos por Chico Anysio impressionam. São 209 personagens criados e levados à vida por ele, feito que nenhum outro artista no mundo conseguiu igualar ou pelo menos chegar perto.

Seu poder de criação e interpretação eram tão grandes, que todos os seus 209 “filhos” transcendiam a tela das televisões, e passavam a ser reais no nosso imaginário. A famosa “Chico City” e seus muitos moradores pareciam não pertencer ao reino mágico da fantasia, mas constar de qualquer roteiro turístico planejado para o nordeste brasileiro. Era como se pudéssemos chegar sem aviso num certo alpendre de uma casa na zona rural, e sermos convidados a sentar para ouvir um dos deliciosos “causos” de Pantaleão, enquanto Dona Terta nos trazia uma jarra de suco de jenipapo, e Pedro Bó era xingado devido as  suas inconvenientes intromissões.

Infelizmente, deixa-nos sem conseguir em vida o devido reconhecimento. Lógico que agora será chorado  e lamentado, receberá inúmeras homenagens,  inclusive da Rede Globo que, todos sabemos, fez de tudo para sufocar o gênio, relegando-o nos últimos anos a pequenas participações em seus sofríveis humorísticos, não o liberando de um contrato que matava o seu talento; enfim, não permitindo que ele pudesse criar e atuar em outras emissoras. Foi um crime hediondo perpetrado contra a humanidade, sob a égide da legalidade.

Chico Anysio, se tivesse nascido na Itália, Inglaterra, Estados Unidos ou qualquer outro país que valoriza o talento de seus filhos, certamente teria o reconhecimento mundial que sempre mereceu, o de maior comediante de todos os tempos. Mas como é brasileiro, será desagravado postumamente, e em poucos dias será apenas uma lembrança saudosa na mente dos mais velhos. E a nossa juventude terá que se contentar com o humor (???) rasteiro, ofensivo e sem graça que hoje é feito nestas paragens, sendo que o único humorístico clássico que ainda resiste em nossa tevê aberta é o “A Praça É Nossa”, do SBT.

Por fim, descanse em paz, Chico! Muito obrigado por tudo!

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